• Home
  • Desilusão com a política pode ajudar o NOVO a crescer – Folha, 2015

Desilusão com a política pode ajudar o NOVO a crescer – Folha, 2015

18 de julho de 2018

Recém-aprovada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a criação do 33º partido político do Brasil, o Partido Novo, fez o país atingir o maior número de siglas de sua história. Para o administrador carioca João Dionísio Amoedo, 52, no entanto, o NOVO é diferente. Presidente da sigla, ele afirma que todos os eleitos pelo partido seguirão o ideário liberal –redução do Estado, maior autonomia do indivíduo, diminuição dos impostos, entre outras medidas.

A favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas sem opinar se as condições para que isso ocorra por via constitucional estão postas, Amoedo diz que o descontentamento da população com políticos pode ajudar o crescimento do Partido Novo. “As razões que nos levaram a montar o partido são muito parecidas com o que a gente tem hoje”, afirma em entrevista à Folha. Leia abaixo trechos da conversa.

Folha – O sr. está criando o Novo há alguns anos, antes mesmo de começar a haver uma crise econômica no país e antes de a sociedade expressar um descontentamento com os políticos. O sr. acha que o “timing” foi bom, mas foi involuntário, porque não havia como prever que essas situações ocorreriam em 2010?
João Dionísio Amoêdo – É verdade, não tinha como prever. Mas se você parar para pensar, as razões que nos levaram a montar o partido são muito parecidas com o que a gente tem hoje. A única coisa é que as coisas pioraram no grau. Em 2010, quando a gente começou, pensamos o seguinte: nós pagamos muitos impostos, mas os serviços públicos são ruins. As pessoas não se envolvem na política, e a gente tem falta de lideranças. O Estado ainda é intervencionista e muito concentrador, cobra muitos impostos. Esse é o cenário que a gente tinha em 2010, que nos incomodava. Isso piorou muito. Talvez a gente não imaginasse que piorasse tanto assim. Certamente eu não imaginava. O Novo é um projeto de longo prazo, mas pode ser que essa situação gere uma oportunidade de uma divulgação mais rápida, de uma aceitação mais rápida das nossas ideias. Porque a realidade está mostrando que esse outro jeito não funciona.

No atual cenário, com o ajuste fiscal, um parlamentar do Novo não votaria por aumento de impostos?
Não, ele teria que votar por uma redução de custos. Basicamente porque a gente entende que o patamar de impostos que o país tem já é muito elevado. E é um desenho que na verdade não funciona mais. O país não cresce porque a carga tributária é tão grande, que ninguém consegue investir, ninguém consegue produzir. O patamar de impostos já está tão alto que, na medida em que você sobe, às vezes até a arrecadação final acaba sendo menor, porque o nível de atividade econômica cai. Então aquele percentual que você deu de aumento é quase que marginal ao ganho.

Nesse sentido, o sr. acredita que a redução de custos que o governo anunciou junto com a intenção de aumentar impostos é pequena?
É pequena. O governo teria que pensar numa reforma realmente estrutural, teria que dizer o seguinte: eu parto do pressuposto de que não dá para aumentar mais nenhum imposto. Se essa é a realidade, vou olhar para dentro de casa –o que dá para fazer? O que a gente pode cortar? O que a gente pode rever? E aí fazer realmente cortes estruturais.

Em relação a programas sociais, o partido tem uma diretriz?
Nós achamos que alguns programas são importantes e válidos, como o Bolsa Família, porque atende uma camada muito pobre da população, o custo dele perto dos outros custos do governo não é tão relevante e, principalmente, você dá os recursos à pessoa e deixa a ela a opção de usar como achar melhor. Agora, o mais importante dos programas sociais, no fundo, é identificar de onde vêm os recursos. Porque senão a gente corre o risco de fazer alguns programas que aparentemente estão atendendo a alguns setores, mas no final quem paga a conta, quando a coisa estoura, é sempre o mais pobre – via inflação, perda de emprego, baixo crescimento. A preocupação do Novo com os programas sociais, ou com qualquer programa do governo, é sempre com a origem dos recursos.

O STF voltará a discutir a questão do financiamento privado de campanha, e o sr. já afirmou que o Novo abriria mão do fundo partidário.
O fundo partidário, se você abre mão, ele é rateado entre os demais [partidos]. Então a nossa ideia é receber o fundo partidário, mas não utilizar o fundo nem para campanhas do Novo, nem para a manutenção do partido. A ideia seria utilizá-lo para fazer propaganda contra o fundo partidário, ou fazer vídeos educativos, alguma coisa que não tivesse relacionada a nenhuma atividade-fim do Novo.

Caso o financiamento privado seja proibido, como o partido pretende se manter?
Nossa ideia é manter o partido com o apoio dos filiados, principalmente, e dos apoiadores.

Essa ideia é crível, dada a quantidade de pessoas que demonstrou interesse em se filiar?
A gente está começando a filiação agora. Temos alguns números: mais de 40 mil cadastrados no site do Novo e temos quase 900 mil seguidores no Facebook. Agora, a gente vai começar mais esse processo da filiação para poder te dizer o seguinte: quantos porcento desses dois grupos vai se filiar. Eu acho que no caso dos cadastrados, a probabilidade é que boa parte se torne filiados. No caso dos seguidores do Facebook é difícil dizer. A nossa expectativa é que a estrutura do partido fosse bancada por essa contribuição mensal.

Durante a coleta de assinaturas para a criação do partido, o Novo contratou empresas para ajudar. Como foi esse processo?
A coleta das assinaturas veio de várias formas. A gente tinha no site, a ficha disponível, e também no Facebook. A gente contratou algumas empresas que iam para a rua e divulgavam a ideia do Novo, os principais princípios, e abordavam as pessoas que eventualmente tinham interesse em apoiar a criação do partido. E de voluntários, né? Foram se juntando ao Novo.

O Novo promete que os eleitos pelo partido teriam metas de gestão. Como isso seria definido?
Quem for ter atuação parlamentar terá um compromisso com as linhas de atuação [do partido]. Uma das coisas que nós achamos importante é estar comprometido a não aumentar impostos. Não votaria em nenhum tipo de aumento de impostos. No caso do Executivo, a ideia é que ele apresente no ato da candidatura algumas metas, e depois, se eleito, dê os números definitivos desses indicadores.

O sr. pretende disputar a eleição de 2016?
Eu não pensei sobre isso, e no caso do Novo tem uma diferença. Os membros do diretório não podem concorrer a cargos eletivos. O diretório tem como responsabilidade fiscalizar, monitorar e dar suporte àqueles candidatos eleitos. Então, para não ter a mesma função, a gente entende que tem a turma que vai trabalhar na gestão pública, que vão ser os políticos, e tem a turma que vai administrar o partido, que não podem se misturar. Até para impedir também que a máquina partidária vire uma máquina para eleger alguém dentro do partido. Como membro do diretório, não posso me candidatar, a não ser que eu saia do diretório com pelo menos um ano de antecedência.

O Novo divulgou que os eleitos pelo partido não poderiam concorrer novamente ao mesmo cargo que ocuparam. Como isso está definido exatamente?
O estatuto prevê o seguinte: alguém que foi eleito para um cargo no Legislativo só poderia concorrer a uma reeleição para o mesmo cargo [a lei permite reeleições indefinidas].

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/09/1682657-desilusao-com-a-politica-pode-ajudar-novo-a-crescer-diz-presidente-da-sigla.shtml